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Sebrae anuncia investimentos de R$ 1 milhão para fortalecer facções

O Sebrae no Rio Grande do Norte vai investir cerca de R$ 1 milhão em ações para desenvolver as oficinas de costuras, também conhecidas como facções, em todo o estado. O anúncio foi feito na quarta-feira (13), em Currais Novos, durante encontro com empresários desse segmento. A reunião foi para apresentar um plano de ações para o fortalecimento da cadeia produtiva em 2018.

A agenda de ações anunciadas pelo Sebrae para apoiar as facções no próximo ano contempla ampliação de mercado, avanço nos elos da cadeira produtiva e realização de consultorias tecnológicas-estruturantes. O prestador de serviço de consultorias será o SENAI e o Sebrae entrará com o subsídio de 85% do valor dos serviços.

"O Brasil é um dos primeiros países em empreendedorismo no mundo e um dos últimos em inovação. Sem inovar, não há competitividade, e, para que as empresas cresçam, é preciso comprometimento, envolvimento e espírito de união", destaca o diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti.

Durante reunião, foram apresentados os avanços do Programa Pró Sertão. Lançado em 2013, o programa tem como objetivo contribuir para a geração de emprego e renda, através do apoio à implantação de facções de costura no estado, visando o aproveitamento das oportunidades decorrentes da ampliação mercadológica do setor de confecções. Nos últimos cinco anos, o Pró Sertão cadastrou 60 facções e gerou 1920 empregos diretos. Hoje, essas empresas são responsáveis pela produção mensal de 422 mil peças e representam um incremento de R$ 2,6 milhões mês na economia do interior.

"Continuar e reforçar o apoio às oficinas de costura", assumiu o diretor técnico do Sebrae. Desde que o programa foi lançado, foram ofertadas mais de 14 mil horas de consultoria, 414 orientações, 23 oficinas e 5 missões empresariais. João Hélio confirmou um aporte aproximado de R$ 1 milhão de reais, entre recursos próprios da unidade do RN e do Sebrae Nacional, para atender 124 oficinas de costura no estado, não apenas as que estão no Pró-Sertão.

"É um negócio extremamente complexo. Requer uma boa gestão financeira, industrial, de pessoas e relacionamentos comerciais. São muitos os fatores de risco, como trabalhista, tributário e ambiental. Uma boa gestão, no sentido amplo, fará a diferença no futuro dessas empresas", destacou João Hélio. Ele lembrou ainda o esforço do Sebrae-RN para elevar o nível de competitividade das empresas, a partir de iniciativas como o projeto piloto para o atendimento de indicadores do Instituto Ethos – selo de responsabilidade social, e a certificação da Abvtex – Associação Brasileira do Varejo Têxtil.

Carlos Daniel, gerente de relacionamento com fornecedores da Guararapes, observou a necessidade de trabalhar a eficiências das facções de costura. "A média de eficiência que estamos trabalhando é de 57%. Algumas oficinas já chegaram a 82%. Temos oficinas com 34 pessoas fazendo o mesmo volume de produção que outra com 23 pessoas. Isso mostra unidades superdimensionadas em relação a efetivos. É um equívoco achar que com quanto mais gente melhor a produção", avaliou o representante da Guararapes.

Uma das prioridades do trabalho será a saúde financeira das empresas. A consultoria estruturante abordará: cronometragem e cronoanálise na indústria de confecções; apuração de custos operacionais; utilização de dispositivos de melhoria de produtividade; manutenção de equipamentos; interpretação de documentos de controle; métodos ótimos de costura; desenvolvimento de polivalência operacional; e controle de qualidade.

"Muitas vezes existem as informações corretas sobre o produto, mas a pessoa não lê e faz errado", explicou Luciene Pontes, do SENAI, sobre a importância de trabalhar melhor a interpretação de documentos de controle. Luciene também destacou a tendência de preparar costureiros polivalentes, para superar os prejuízos com a ausência de um costureiro especialista. Sobre a necessidade de consultoria em manutenção de equipamentos, a diretora do SENAI constatou que há muito tempo perdido na produção, por atrasos de conserto de máquinas, principalmente as eletrônicas.

O encontro foi encerrado com a participação de Roseanne Albuquerque, diretora regional do SENAI no Rio Grande do Norte. O SENAI é contratado pelo Sebrae para realizar, junto às facções de costura, os serviços tecnológicos. "Temos a responsabilidade de entender as necessidades das empresas para poder contribuir com a competitividade da indústria. Nós somos parceiros da indústria do RN", destacou Roseanne.